domingo, 7 de agosto de 2011

"E agora? A pílula do dia seguinte funciona?"

“Qual a diferença entre pílula do dia seguinte de 1 comprimido e a de 2 comprimidos? Qual a frequência que esse método pode ser usado? É um método seguro?”

Classicamente, a anticoncepção de emergência (o uso da pílula do dia seguinte) é feito dividindo-se a dose total de anticoncepcional hormonal ou combinações de anticoncepcionais em duas doses iguais, administradas em intervalos de 12 horas, sendo que a primeira dose (ou o primeiro comprimido) usado, no MÁXIMO, 72 horas após a relação sexual desprotegida e a segunda dose (o segundo comprimido) 12 horas após a administração da primeira dose. Uma outra maneira de se utilizar o contraceptivo de emergência (a pílula do dia seguinte) é a administração de dose única ( geralmente 1 comprimido contendo o anticoncepcional hormonal ou a combinação de anticoncepcionais), usada no MÁXIMO 72 horas após a relação sexual desprotegida. Estudos recentes realizados pela Organização Mundial de Saúde demonstram que a dose única é tão eficaz e segura quanto a dose fracionada em 2, 4 ou até 8 comprimidos. Uma das vantagens de se usar a pílula do dia seguinte em dose única é a facilidade de administração e o menor risco de esquecimento, porém, a dose única pode aumentar o risco de ocorrência de efeitos indesejáveis (efeitos colaterais) como dores de cabeça, náuseas e irregularidades na menstruação.

A segurança e eficácia das pílulas do dia seguinte disponíveis no mercado podem ser avaliadas de 2 maneiras, através do índice de Pearl, índice de falha, que calcula o número de gestações por 100 mulheres que utilizam o método no período de um ano, ou ainda, através do índice de efetividade, que calcula o número de gestações prevenidas por cada relação sexual desprotegida. A anticoncepção de emergência tem o índice de falha igual a 2% entre 0 a 24 horas após a relação e o índice de efetividade em média igual a 75% (o que significa dizer que 3 de 4 gestações provenientes de relações sexuais desprotegidas podem ser evitadas). Portanto, trata-se de um método bastante seguro.

É importante ressaltar que a eficácia do método reduz em função do tempo, ou seja, quanto mais tempo se demora para utilizar a pílula maior a chance do método falhar. Em alguns casos (dependendo da pílula utilizada) o índice de falha pode chegar a 3,2% entre 0 a 3 dias.

Estudos recentes realizados comprovam que o uso frequente e repetitivo de contraceptivos de emergência (pílula do dias seguinte) comprometem a eficácia e, portanto, a segurança do método, que será sempre menor do que aquela obtida com o uso regular do método anticoncepcional de rotina. O uso frequente pode causar efeitos indesejados como irregularidades na menstruação.

A Organização Mundial de Saúde aconselha o uso de levonorgestrel isolado em dose única de 1,5 mg para uma contracepção de emergência mais eficaz e ainda o uso de outros métodos de contracepção, como de barreira (camisinha) e o uso regular de contraceptivos hormonais rotineiros.

Referências:

  • Anticoncepção de emergência: Perguntas e respostas para profissionais da saúde. Caderno 3. Brasilia DF 2005. Ministério da saúde.
  • Emergency contraception. Worl Health Organization [Internet]. Acesso em 5 de agosto de 2011. Disponível em http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs244/en/.

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