quinta-feira, 11 de abril de 2013

Atualização Harp 100


Em 6 de agosto de 2011 foi publicado no PhResponde uma dúvida sobre a segurança, eficácia e qualidade de um suposto produto fitoterápico, o Harp 100. Devido a grande repercussão do texto, elaboramos uma nova publicação para atualizar alguns fatos e informações importantes do suposto produto. 

O referido produto, o Harp 100 (também conhecido como “Natural life – Harp 100mg” ou “Ervas life – Harp 100mg), segundo Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), RE N.5.684, de 14 de dezembro de 2009, teve sua fabricação, distribuição, comércio e uso proibidos em todo o território nacional, por não possuir registro. Ou seja, não há garantia nenhuma da qualidade, eficácia ou segurança desse produto. Produtos sem registro são irregulares e apresentam um grande risco para a saúde dos pacientes que o utilizam, eles não têm nenhuma documentação protocolada junto ao orgão regulatório de medicamentos, sobre componentes da formulação, forma de produção e estudos que comprovem eficácia, segurança e qualidade. Produtos assim são irregulares, você não os encontra em farmácia e drogarias, não é mesmo? 

Um grupo de pesquisa (que será resguardado, por segurança, até a conclusão dos resultados e autorizada publicação) vem investigando, atualmente, a verdadeira composição do Harp 100. Com o andamento das investigações e alguns resultados prévios é possível identificar que esse produto não contém nada do Harpagophytum procumbens, dito como o princípio ativo do fitoterápico em questão, e sim várias outras drogas sintéticas de efeito analgésico já conhecido como orfenadrina, piroxicam, dexametasona e tantas outras substâncias que acabam variando de “produto para produto” devido a irregularidades e à falta de um controle de qualidade rigoroso e necessário dos diversos “fabricantes”. Além do rótulo não fazer menção a essas substâncias, o grande risco dessa associação desconhecida está na possibilidade de causar efeitos colaterais nos pacientes, como insuficiência renal, dependência física e química, interação medicamentosa com o álcool e até risco de morte! O risco envolve a interação com outros medicamentos que o paciente esteja tomando e a ingestão de álcool que pode alterar fortemente o fígado, rins e o sistema nervoso central. 

O suposto número de registro que é encontrado nas embalagens do Harp 100 não é identificado nem encontrado na ANVISA, portanto pode ser um número falso aleatório. Ao realizar a pesquisa, com o suposto número enviado por alguns leitores, uma mensagem diz que o produto não é encontrado. 

A equipe do PhResponde localizou uma notícia, publicada em 21 de novembro de 2012, sobre a suposta morte de um paciente que fazia uso do Harp 100, naquela época, o pai da vítima também foi internado com os mesmos sintomas após fazer uso do produto. O caso ocorreu na cidade de Votuporanga (SP) e o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo formalizou uma denúncia contra o medicamento que não possui registro e tem a suspeita de conter corticóides além de outros anti-inflamatórios. 

Referências: 

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