sexta-feira, 12 de abril de 2013

E esse meu nariz entupido que não sara?

"Neosoro vicia? Utilizo o medicamento e percebo que ele proporciona rápido alivio para a congestão nasal. Verifiquei alguns comentários na internet sobre esta possibilidade."

A mucosa nasal é altamente vascularizada. Quando o organismo entende que precisa de proteção (para evitar infecções por microorganismos ou entrada de agentes irritantes carreados pelo ar), seu mecanismo de defesa é fazer com que esses vasos inchem e dificultem a respiração, originando o famoso nariz entupido.

Todos nós sabemos o quanto é desconfortável a sensação de nariz entupido e, por isso, muitas pessoas recorrem ao uso de descongestionantes tópicos (aqueles que aplicamos diretamente nas narinas), na maioria das vezes, sem consultar o médico ou o farmacêutico.

Muitos descongestionantes tópicos presentes no mercado têm como componente um fármaco chamado nafazolina, como é o caso do Neosoro. A nafazolina possui ação vasoconstritora imediata (5 a 10 minutos): “desincha” os vasos sanguíneos aliviando a sensação de nariz entupido. Entretanto, esses medicamentos não agem contra os sintomas de coceira, espirros e corrimento nazal. O efeito vasoconstritor da nafazolina dura, em média, de 3 a 6 horas e após esse tempo um nova aplicação se faz necessária.

O que muitas pessoas não sabem é que o uso prolongado de nafazolina leva a uma vasodilatação rebote, ou seja, os vasos sanguíneos ficam inchados e a sensação de nariz entupido retorna. Assim, a cada aplicação do medicamento, alivia-se essa sensação, mas após algum tempo o efeito acaba e os vasos voltam a “inchar”, até mais do que antes, na chamada vasodilatação rebote. Dessa forma, o paciente entende que só tem o alívio quando faz uso do descongestionante à base de nafazolina, gerando aí a dependência do medicamento. Por isso, o uso tópico de descongestionantes contendo vasoconstritores deve ser feito por, no máximo, 7 dias.

O uso prolongado desses medicamentos pode causar, além da vasodilatação rebote, lesão da mucosa nasal e até efeitos adversos em outras partes do organismo, como por exemplo hipertensão, palidez e suor excessivo.

Descongestionantes nasais tópicos à base de nafazolina, assim como outros que contenham vasoconstritores, devem ser adquiridos apenas sob prescrição médica. Inclusive, em maio de 2010 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recolheu medicamentos desse tipo que não possuiam a tarja vermelha de “venda sob prescrição médica”. Essa atitude fez com que as indústrias fabricantes adequassem suas bulas e embalagens conforme manda a lei.

De acordo com dados de maio de 2003 da ANVISA, além da nafazolina (59 produtos registrados), os principais vasoconstritores utilizados em formulações descongestionantes tópicas presente no mercado são a oximetazolina (15 produtos), fenoxazolina (9 produtos), tetrizolina (8 produtos) e xilometazolina (4 produtos).
O uso desses medicamentos deve ser evitado em crianças (principalmente menores de um ano), gestantes e lactentes e deve ser controlado em hipertensos, diabéticos e pacientes com hipertireoidismo e doenças cardiovasculares.

Geralmente, esse tipo de descongestionante é muito usado por pessoas que sofrem com crises de rinite alérgica. Em crises de curto tempo, normalmente, não há necessidade de utilização de qualquer medicamento. Muitas vezes, o melhor tratamento é o do “controle ambiental”, ou seja, mudanças realizadas no ambiente da pessoa, como, por exemplo, retirar tapetes e cortinas empoeirados do quarto, diminuindo o contato do paciente com o agente causador da alergia. Recomenda-se a lavagem das narinas com soro fisiológico para auxílio na eliminação de muco, quando presente.
Caso a sensação de nariz entupido não melhore, há a possibilidade de realizar tratamentos fáceis e eficazes com corticóides nasais. É interessante, então, que o paciente converse com seu médico e farmacêutico para que seja escolhido o melhor medicamento.

Bibliografia:

  • Medicamentos descongestionantes nasais tópicos à base de nafazolina. Informes técnicos anuais, 2010, ANVISA.
  • Fábio Bucaretchi; Sanja Dragosavac; Ronan J. Vieira. Exposição aguda a derivados imidazolínicos em crianças. J. Pediatr. (Rio J.) vol.79 no.6 Porto Alegre Nov./Dec. 2003
  • Lucia F. Bricks, Tania Sih. Medicamentos controversos em otorrinolaringologia. J. pediatr. (Rio J.). 1999; 75(1):11-22.
  • Cloridrato de Nafazolina. Bulas, Medley.

Um comentário:

  1. Ótima resposta Luciana, parabéns! Aliás, parabéns a todos, estou acompanhando todas as perguntas do blog...:) Fabiana Lima

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