quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Micose de unha: um problema frequente que pode ser facilmente tratado.


Esta publicação reúne dúvidas, sobre o mesmo assunto, de internautas de Belo Horizonte/MG e de Volta Redonda/RJ. Portanto, elaboramos uma resposta para abranger o tema.

“Estou com um problema na unha do dedão do pé: ela está oca e parece que vai se soltar. Quais medicamentos devo usar pra prevenir e/ou cuidar de micoses, fungos ou demais infecções que possam vir a ocorrer na unha? Minha avó, 75 anos, também tem micose em todas as unhas, já utilizou vários remédios, agora está usando “matabicheira”. Isso pode curar a micose dela?”

Micose é, essencialmente, um processo infeccioso originado pela instalação e multiplicação de um ou mais micro-organismos, os fungos. Ela pode se manifestar de modo profundo (profundidade da pele e outros órgãos) ou de maneira superficial (pele, pelos e unhas).

A micose da unha, (onicomicose, onico vem do grego e significa unha) pode acometer uma ou várias unhas. O contágio se dá através do contato direto com o fungo, ou seja, através dos animais de estimação, contato com a terra e solo, compartilhamento de roupas e calçados contaminados, uso de chuveiros, banheiros públicos e materiais não esterilizados utilizados por manicures, como alicates, tesouras, espátulas e lixas. A infecção pelo vírus da Aids, diabetes e até mesmo doença periférica vascular (constrição dos vasos sanguíneos que compromete o fornecimento de oxigênio e nutrientes às células do nosso corpo) podem facilitar a evolução das micoses nas unhas. As estratégias para evitar as formas de contágio são medidas simples para prevenir o aparecimento de micoses (evitar compartilhar roupas, toalhas e sapatos fechados, não utilizar materiais de manicure sem esterilização prévia, dentre outros).

Após o contato com o micro-organismo, o fungo pode invadir a unha, tanto pela parte superior quanto pelo lado inferior, penetrando pelas laterais ou por baixo do corpo da unha (descolando-na do dedo, por exemplo). Essa penetração resulta na liberação de um pó esbranquiçado, seguido de uma descoloração natural da unha. Todos os casos devem ser avaliados pelo seu médico dermatologista, para que ele possa pesquisar e descobrir o real motivo da alteração ocorrida na unha, já que não somente fungos podem causar esses transtornos. Um simples trauma, infecção por líquens, psoríase ou até mesmo a síndrome da unha amarela (doença muito rara, de causa desconhecida, na qual é notada a alteração na cor das unhas, com inchaço) podem ser causa de alguma alteração na unha. Através de exames simples, como cultura do raspado da unha, pode-se diagnosticar e tratar adequadamente esse tipo de micose.

Com o diagnóstico apropriado, deve-se seguir com um tratamento adequado que é baseado em abordagens tópicas ou sistêmica. O tratamento tópico é feito pingando uma solução contendo a substância anti-fúngica diretamente na unha afetada ao longo do dia por um período determinado. O uso de comprimido contendo substância anti-fúngica para administração oral é o tratamento sistêmico. Geralmente, o tratamento sistêmico é mais demorado, aproximadamente 3 meses de uso contínuo ou descontínuo (em pulso). O tratamento pulsátil é quando o paciente toma um comprimido uma vez por semana, por exemplo. O paciente nunca deve interromper o tratamento sem orientação médica, mesmo desaparecendo os sinais e sintomas pois corre o risco da micose retornar numa maior intensidade.

Existe uma variedade de substâncias anti-fúngicas que podem ser utilizadas no tratamento das micoses e elas variam de caso para caso, isto é, do tipo de micro-organismo presente na unha e da condição do paciente. O médico dermatologista é o profissional mais adequado para analisar esses resultados e prescrever o anti-fúngico mais adequado.

O tratamento tópico possui eficácia e maior segurança, tendo em vista seus menores efeitos sistêmicos que são indesejáveis para o organismo. Dependendo do tamanho da infecção, o uso de solução tópica é o mais indicado, podendo ser pingado sobre a unha três vezes ao dia, por exemplo.

Os medicamentos utilizados no tratamento oral são seguros, porém, devido a extensa transformação que o medicamento sofre no fígado deve-se ter atenção: para substâncias que afetem o fígado (como o álcool e outros medicamentos) e pacientes que tenham disfunção renal. Para pacientes com alguma alteração no fígado não se recomenda tratamento via oral. Medidas adicionais de controle e monitoramento do fígado, devem ser feitas durante o tratamento oral. Exames de sangue podem avaliar como o fígado responde ao tratamento, ou seja, se ele está dando conta do recado ou não. Portanto, lembre-se de solicitar esses exames ao seu médico, caso venha fazer uso de tratamento por via oral.

Ainda em relação ao tratamento oral, o paciente deve seguir o regime de administração correto, isto é, alguns medicamentos devem ser tomados em condições específicas, por exemplo, logo após as refeições. Alguns medicamentos até exigem uma dieta mais gordurosa, pois isso aumenta a absorção do fármaco. Outros precisam do pico de acidez estomacal que ocorre quando ingerimos comida, por isso dependendo do medicamento não se deve fazer uso de anti-ácidos ou outros medicamentos que controlam úlceras e acidez excessiva. (Curiosamente, alguns desses remédios podem até ser ingeridos com refrigerante a base de cola, por facilitar absorção pelo efeito ácido que eles têm!)

Ao fazer uso de medicamentos por via oral, deve-se ter atenção redobrada com possíveis interações medicamentosas que, por exemplo, dependendo da substância usada no tratamento, pode-se diminuir a eficácia e potência de alguns antibióticos, anti-concepcionais e anticoagulantes. Da mesma forma que pode ocorrer a diminuição da eficácia de alguns medicamentos, pode-se aumentar a potência de outros, como as substâncias de controle da glicemia (açúcar presente no sangue) e do colesterol.

As diretrizes e recomendações para o tratamento adequado das micoses de unha não mencionam as substâncias contidas no produto “Matabicheira” (produzido pela Fort Dodge Animal Health). Esse produto contém, na verdade, substâncias inseticidas (que matam a maioria dos insetos, mas não os micro-organismos específicos que causam a micose). Esses inseticidas são indicados para uso veterinário no tratamento e controle das “bicheiras” (miíases e bernes), que podem ser provenientes da infeção e contaminação em ferimentos acidentais na pele ou até mesmo picada de insetos. Esse produto auxilia, também, o tratamento da sarna em ovelhas e suínos. As substâncias presentes no “mata-bicheira” exigem um controle especial, visto que podem trazer risco aos humanos, por exemplo, toxicidade excessiva. Eles podem, dependendo da concentração, ser até carcinogênicos (provocando câncer). Dessa maneira, esse produto não é indicado para uso em humanos.

Caso você apresente alguns dos sinais que possam indicar micose nas unhas, consulte seu médico dermatologista para ele avaliar e identificar a real causa dessa infecção. Converse com o seu farmacêutico a respeito do medicamento prescrito para ele avaliar as relações e interações que podem ocorrer devido ao uso do mesmo. A abordagem adequada garante eficácia e segurança nesse tipo de tratamento (tanto tópico quanto oral) chegando a representar 100% de cura.

Referências:
  • de Berker, David M.R.C.P. Fungal Nail Disease. The New England Journal of Medicine. v.360 (20), 2009.
  • Maithily A. Nandedkar-Thomas, and Richard K. Scher. An update on disorder os the nails. J. Am. Academy of Dermatology. v.52 (5), 2005.
  • Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risk of Chemicals to Humans: Cross Index of Synonyms and Trade Names in Volumes 1 to 46, International Agency for Research on Cancer, World Health Organization, Geneva, Switzerland, 1997.
  • Lewis RJ: Sax's Dangerous Properties of Industrial Materials, 9th ed, Van Nostrand Reinhold Company, New York, NY, 1996.
  • Fort Dodge Animal Health. Bula do produto Matabicheira. Disponível em http://www.fortdodge.com.br/divisoes/bovinos/bovinos_exibicao_bula.php?Produto=89&TipoProduto=3

2 comentários:

  1. Consulte um dermatologista.

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  2. Acredito que todos devemos consultar um médico para um problema de saúde, porém nem sempre o médico consegue esclarecer nossas dúvidas em relação aos medicamentos. Muito bacana a atitude do farmacêutico esclarecer a população sobre o uso de medicamentos, afinal, ele é o profissional indicado para esse propósito.

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