segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cápsulas, drágeas, comprimidos: qual a diferença entre as formas farmacêuticas?


“Gostaria de saber a diferença entre comprimido, cápsulas e drágeas, quando, ou não, posso parti-los e o que difere os de liberação prolongada.”

Define-se forma farmacêutica como a forma final na qual os princípios ativos (a substância responsável pelo efeito do medicamento) são comercializados, a fim de facilitar a sua utilização administração, garantir a obtenção dos efeitos clínicos desejados e a preservação de suas características físico-químicas e farmacológicas.
A escolha da forma farmacêutica deve considerar, entre outros fatores, as condições de transporte e armazenamento (espaço, volume, praticidade); a estabilidade do medicamento (ou seja, a garantia de que o princípio ativo não sofrerá nenhuma interferência ou transformação que comprometa sua passagem para o sangue ou o seu efeito); a aparência e sabor do princípio ativo e demais constituintes; e a precisão da dosagem. Explicarei essa precisão com um exemplo: ao tomar uma colher de um xarope a dose não é precisa, pois a quantidade a ser ingerida depende do paciente e, portanto, pode estar maior ou menor do que o recomendado, dependendo do tamanho e de quão cheia estiver a colher utilizada. Por outro lado, quando se toma um comprimido contendo 250 mg de um princípio ativo, a dose é precisa, ou seja, a quantidade ingerida é conhecida e independe do paciente.
Existem formas farmacêuticas líquidas (ex.: xaropes, suspensões orais), semi-sólidas (ex.: pomada, creme, gel) e sólidas (ex.:comprimidos, drágeas, cápsulas, grânulos).
Os COMPRIMIDOS,
São formas farmacêuticas sólidas obtidas por compressão de pós. Basicamente, faz-se uma mistura contendo o princípio ativo e demais constituintes(conhecidos com excipientes) e aplica-se uma pressão sobre essa mistura . Como vantagens em relação às cápsulas, temos: maior precisão de dose e conteúdo, permite uma variedade de espessuras, formas (mastigáveis, sublinguais, vaginais, efervecentes); e é inviolável, ou seja, não é possível adulterar seu conteúdo. As desvantagens são que alguns princípios ativos são mais resistentes à compressão; às vezes, é difícil mascarar fissuras (rachaduras), descoloração, sabor, aparência e odor desagradáveis.
Muitos comprimidos podem receber revestimentos especiais e, então, são denominados COMPRIMIDOS REVESTIDOS.
O revestimento pode ser realizado com polímeros e/ou açúcar. Se esse revestimento for à base de açúcar, denominamos drágeas. As drágeas têm aspecto liso, brilhante, são fáceis de deglutir (engolir) e permitem misturar, entre o revestimento e o núcleo da drágea, substâncias que não poderiam ser misturadas em um comprimido comum (substâncias incompatíveis).
Dependendo do tipo de material utilizado, o revestimento pode ser útil para: mascarar sabor, cor e aparência desagradáveis; proteger o princípio ativo (física e quimicamente); permitir mistura de substâncias incompatíveis e controlar a liberação do fármaco.

De modo bastante simplificado, podemos, então, definir os COMPRIMIDOS DE LIBERAÇÃO PROLONGADA (ou de liberação modificada) como aqueles que receberam revestimento capaz de controlar a velocidade com a qual o comprimido se “dissolvem” e o medicamento chega ao sangue. Eles são úteis pois aumentam a adesão do paciente ao tratamento, uma vez que, ao invés de tomar vários comprimidos ao dia (em intervalos de 4, 6, 8, 12 horas), pode-se tomar um único comprimido e ainda assim obter o efeito desejado.

Nas CÁPSULAS, o fármaco está envolvido por uma substância relativamente elástica (amidoou gelatina). são as formas sólidas mais utilizadas na manipulação e são fáceis de transportar, capazes de mascarar sabor e aparência desagradáveis,e permitem liberação rápida do fármaco. Entretanto, podem ser, facilmente abertas e ter seu conteúdo adulterado ou sofrer contaminação.

Por causa do grande número de medicamentos disponíveis no mercado, é difícil listar cada um e dizer quais podem ou não ser partidos. Seguem orientações gerais:
- O ideal é não partir nenhum comprimido. Ao parti-lo, ele se despedaça, se espalha e a dose ingerida perde sua precisão. Além disso, caso não seja partido em uma superfície limpa, ainda aumenta-se o risco de contaminação com outros materiais e pós, bem como bactérias e fungos. Outro problema é que muitas pessoas não guardam a outra metade com o cuidado necessário e se guardados em uma caixa contendo vários medicamentos diferentes, há o risco de confundi-los e tomar um comprimido trocado, tomando o dobro da dose de um e não tomando o outro, por exemplo. Essa recomendação, também, é válida para as drágeas, bem como no que se refere a abrir as cápsulas.
- Entretando, há comprimidos que apresentam um sulco (uma marca, linha) dividindo-o ao meio e, em geral, podem ser partidos. Ainda assim, leia a bula do medicamento e verifique se o fabricante não faz alguma observação recomendando não parti-lo.
- JAMAIS parta um comprimido revestido, a não ser que o fabricante afirme na bula que, mesmo sendo revestido, o comprimido pode ser partido. Em geral, o revestimento tem um objetivo específico de proteger o princípio ativo ou de liberá-lo gradualmente ao longo do tempo. Ao partir um comprimido revestido, você está removendo essa “proteção” e o medicamento pode perder seu efeito ou, se o comprimido for de liberação prolongada, pode liberar uma quantidade muito alta e causar efeitos tóxicos no organismo.
- Em caso de dúvidas, leia a bula do medicamento e consulte o farmacêutico ou seu médico.

REFERÊNCIAS

LACHMAN, L.; LIEBERMAN, H. A., KANIG, J.L. Teoria e prática na indústria farmacêutica. vol. 2, fundação Caloust Gulbencian, 2002.

PEZZINI, B. R; SILVA, M. A. S.; FERRAZ, H. G. Formas farmacêuticas sólidas orais de liberação prolongada: sistemas monolíticos e multiparticulados. Rev. Bras. Cienc. Farm. v.43 n.4 São Paulo out./dez. 2007. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-93322007000400002&lng=pt&nrm=is

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