sexta-feira, 6 de junho de 2014

Diabetes tipo 1 ou tipo 2?


“Existe algum exame bioquímico que é realizado para diferenciar/diagnosticar o diabetes mellitus tipo 1 do tipo 2?”

A glicose é a principal fonte de energia das células. Assim, como todas as células do nosso corpo precisam de glicose, é de extrema importância que ela esteja circulando no sangue em concentrações adequadas. Por esse motivo, nosso organismo apresenta vários mecanismos para controlar (aumentar ou diminuir) os níveis de glicose no sangue. Por exemplo, a famosa insulina, é um hormônio produzido pelo pâncreas que tem como principal função diminuir a quantidade de glicose no sangue.

O nível de glicose no sangue recebe o nome de glicemia. Quadros de altos níveis de glicemia são chamados de hiperglicemia. Entendemos como DIABETES MELLITUS quadros de hiperglicemia repetitivos ou crônicos que ocorrem devido a distúrbios relacionados à insulina (na maioria das vezes). O diabetes apresenta como sintomas aumento de sede e fome, cansaço, coceira em toda a pele, vontade de urinar muitas vezes ao dia, embaçamento das vistas e perda de peso (pouco comum no tipo 2). Alguns diabéticos não apresentam sintomas, o que é mais comum no tipo 2.
O diagnóstico de diabetes pode ser feito feito através de testes que avaliam a glicemia. Os testes usados para esse fim são “glicemia plasmática de jejum” (quando o paciente passa por 8 horas de jejum antes da coleta de sangue), “glicemia aleatória” (sem jejum) e “glicemia após 2h no teste de tolerância oral à glicose (o indivíduo ingere glicose ou dextrol antes do exame).
Glicemia de jejum - Caracteriza diabetes se for superior a 125mg/dL em pelo menos duas ocasiões.Glicemia aleatória - Caracteriza diabetes se estiver acima de 200mg/dL e o indíduo apresentar sintomas.
Glicemia de 2 horas no teste de tolerância oral à glicose (TTOG) - Caracteriza diabetes se maior que 200mg/dL.
Recentemente, passou-se a aceitar o doseamento de glicohemoglobina (HbA1c) para fins diagnósticos. Contudo, esse método é ainda pouco usado para diagnóstico, sendo muito utilizado para controle do tratamento de diabéticos já diagnosticados. Valores superiores a 6,5% de glicohemoglobina são sugestivos de diabetes.
Qualquer um dos testes deve ser confirmado por outro para diagnóstico conclusivo.

O diabetes mellitus pode ser classificado em tipo 1 e tipo 2.
Diabetes mellitus tipo 1 – O pâncreas não produz ou produz pouca insulina. Na maioria das vezes isso acontece porque o organismo cria anticorpos contra as próprias células produtoras de insulina (as células β do pâncreas), destruindo-as.
Diabetes mellitus tipo 2 – É a forma mais comum. O pâncreas produz insulina em quantidade adequada, contudo o corpo não responde a ela. Ou seja, a insulina está presente, mas não consegue abaixar os níveis de glicose no sangue.

Os tratamentos para essas duas formas de diabetes (tipo 1 e tipo 2) são diferentes. Por isso é necessário saber qual tipo de diabetes o paciente possui antes de se iniciar a terapia.
Geralmente os sintomas e o perfil do paciente permitem ao médico a classificação do diabetes - os dois tipos prevalecem em faixas etárias distintas (tipo 1 antes dos 20 e tipo 2 após os 40 anos, na maioria dos casos) e o diabetes tipo 2 está, em mais de 85% dos casos, associado a sobre-peso ou obesidade. Contudo, alguns casos podem deixar o médico em dúvida quanta à classificação do diabetes.
Para esses casos
existem, sim, exames bioquímicos que permitem classificar o diabetes. Os mais usados são o teste de insulina no soro e a pesquisa por auto-anticorpos.

- Para o teste de insulina no soro, o paciente deve manter-se em jejum por 8 horas e não praticar exercícios físicos antes da coleta. O resultado do exame é avaliado levando-se em consideração o peso e altura do paciente. De modo geral, diabéticos tipo 1 não apresentam ou apresentam baixíssimos níveis insulina no sangue. Já os diabéticos do tipo 2, na maioria das vezes, apresentam níveis de insulina normais (ou próximos da normalidade).

- Existe ainda a possibilidade de se pesquisar por auto-anticorpos (IAA, anti-GAD e ICA 512, principalmente). Esses anticorpos estão presentes em cerca de 98% dos pacientes com diabetes mellitus tipo 1, mas estão ausentes (ou em níveis muito baixos) nos diabéticos do tipo 2. Para o exame de pesquisa por auto-anticorpos (qualquer dos três), o paciente deve se manter em jejum por 3 horas antes da coleta.

Não deixe de consultar seu médico ou farmacêutico.


Referências:
- Sociedade Brasileira de diabetes. Disponível em: http://www.diabetes.org.br/ (acessado em 26 de agosto de 2011).
-
A. BURTIS, CARL. Tietz Fundamentos de Química Clínica, 2008.- OLIVEIRA SOUZA, MARINEZ. Diabetes Mellitus e hipoglicemia. Belo Horizonte, 2011.

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