sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Qual a segurança da utilização do Ginkgo biloba?

“Gostaria de saber se o uso contínuo de Ginkgo biloba pode provocar algum problema, no caso de provocar, qual o tempo máximo que se pode fazer uso deste medicamento?”

O Ginkgo biloba é considerado um medicamento fitoterápico (produto obtido exclusivamente de matérias-primas ativas vegetais tendo bem estabelecidos a eficácia, riscos de seu uso e também reprodutibilidade e qualidade do medicamento) indicado para o tratamento de alterações e sintomas decorrentes da deficiência do fluxo sanguíneo cerebral como problemas de memória, função cognitiva, tonturas, dor de cabeça e estágios iniciais de demências (como Alzheimer), além de distúrbios circulatórios periféricos e problemas na retina.

Os principais constituintes químicos presentes no extrado das folhas do G. biloba são os flavonóides, biflavonóides e os terpenóides lactônicos (ginkgolídeos). O medicamento comercializado a partir do extrato das folhas (designidado como EGB761) é padronizado contendo, no mínimo, 24% de flavonóides glicosilados, ou seja, ligados a açúcares (quercetina, canferol e isorhamnentina) e 6% de terpenóides (ginkgolídeos A, B C, J e bilobalídeos), limitanto a concentração dos ácidos ginkólicos (ácido orgânico) em 5 ppm (5 mg/kg) pela sua toxicidade.

A duração do tratamento e a indicação desse medicamento devem ser estabelecidas pelo médico que acompanha o paciente em relação às questões cerebrais e vasculares. As informações que demonstram efeitos adversos do uso desse medicamento constam na bula do mesmo. É comum o aparecimento de distúrbios gastro-intestinais, dor de cabeça e reações alérgicas na pele como vermelhidão, inchaço e coceira. Enjoos, palpitações, hemorragias e diminuição da pressão arterial também foram os demais efeitos adversos relatados. Entretanto, os efeitos indesejáveis podem ser amenizados com a redução da dose do medicamento.

Analisando a segurança e eficácia do G. biloba, Kleijnen e Knipschild revisaram 40 ensaios clínicos que utilizaram doses de 120 a 160 mg/dia no período de 4 semanas a 3 meses. Eles encontraram que nenhum efeito adverso sério foi reportado. Um recente estudo clínico avaliou a administração de 120 mg/dia do extrato padronizado EGB 761 durante 52 semanas (1 ano), encontrando que complicações gastro-intestinais eram os efeitos reportados, no entanto, sem representar grandes diferenças entre o grupo que recebeu placebo. Outro estudo determinou a ocorrência de sangramentos espontâneos associados ao uso de G. biloba, estabelecendo um alerta para evitar o uso desse medicamento em pacientes que apresentem distúrbios da coagulação, estão sob uso de anticoagulantes ou apresentem alguma condição favorável ao início de sangramentos, como presença de úlceras gástricas.

Não foram encontrados estudos ou situações que avaliaram o uso do extrato de G. biloba após 1 ano, assim, não se pode predizer a segurança do uso desse medicamento em humanos após esse período de utilização . É importante manter a avaliação do tratamento com esse fitoterápico após o uso constante no primeiro ano, ou seja, verificar a ocorrência de efeitos indesejáveis como os citados ao longo do texto, através de exames bioquímicos e avaliação clínica pelo médico do paciente.

A garantia do uso adequado do medicamento fitoterápico que deve ter registro no Ministério da Saúde/ANVISA e o respeito as orientações médicas são fundamentais para evitar complicações durante o uso do G. biloba. Nunca interrompa o tratamento sem a autorização do seu médico!


Referências:
  • ANVISA, Orientações Bula G. biloba. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM[31605-2-0].PDF
  • Leite, T.C.C & Branco, A. Análise das bulas de medicamentos à base de Ginkgo biloba L. Rev Ciênc Farm Básica Apl.. v.31(1), 2010. Disponível em: http://serv-bib.fcfar.unesp.br/seer/index.php/Cien_Farm/article/viewFile/987/938
  • Po-Chuen Chan, et. al. Ginkgo Biloba Leave Extract: Biological, Medicinal, and Toxicological Effects. Journal of Environmental Science and Health Part C. v. 25, 2007.
  • Le Bars PL, et al. A placebo-controlled, double-blind, randomized trial of an extract of Ginkgo biloba for dementia. North American EGb Study Group. Jama. v.278(16), 1997.
  • Kleijnen J & Knipschild P. Ginkgo biloba. Lancet. v.340(8828), 1992.

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