segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Decidi mudar meu método contraceptivo... e agora?



"Como fazer a mudança de um método contraceptivo qualquer para a pílula anticoncepcional?”


Existem disponíveis no mercado diversas opções de métodos para evitar a gravidez. Faremos uma abordagem sobre os métodos reversíveis, ou seja, aqueles que evitam a gravidez enquanto for do desejo da mulher ou do casal e, quando esses métodos deixam de ser utilizados, a mulher pode engravidar normalmente.


Dependendo do momento da vida da mulher, da sua necessidade ou vontade, ela pode querer mudar o método contraceptivo utilizado até então e começar a utilizar um anticoncepcional oral. Abordaremos agora como fazer essa mudança.

  • Quando nenhum outro contraceptivo hormonal foi utilizado no mês anterior:

O uso da pílula anticoncepcional geralmente inicia-se no primeiro dia da menstruação. As cartelas de anticoncepcional oral indicam a sequência para tomar cada comprimido, por dias da semana (seg, ter, qua...) ou números cardinais (1, 2, 3 e assim por diante). Ou seja, no primeiro dia de sangramento, a mulher deve iniciar a cartela pelo dia 1 ou dia da semana correspondente. Essa é a regra geral, mas podem existir exceções, por isso, ressaltamos a importância de sempre ler a bula antes de iniciar a pílula de escolha (assim como qualquer outro medicamento), pois o fabricante pode indicar outra forma de iniciar a tomada do anticoncepcional.


  • Mudando de um contraceptivo oral combinado para outro:

Caso a mulher escolha mudar a marca da sua pílula anticoncepcional, o novo medicamento deve ser tomado, preferencialmente, logo após o término da cartela antiga. Isso significa que não haverá pausa entre os comprimidos. Se isso não for possível, a outra opção é começar a nova cartela após o intervalo de pausa da cartela antiga, normalmente feito para cartelas de 21 dias.

Um segundo caso são as cartelas que possuem comprimidos inativos. Elas possuem 28 ou 30 comprimidos, que vão ser tomados diariamente e não há pausa para início da próxima cartela. Os comprimidos finais desse tipo de anticoncepcional não possuem princípio ativo (placebo) e servem para que a mulher se lembre de iniciar a próxima cartela no dia certo. Quando for esse o caso, pode existir dúvida sobre qual é o último comprimido ativo, portanto, é recomendável que se inicie a nova cartela, no máximo, no dia seguinte ao último dia de tomada de comprimidos inativos. Ou seja, a nova cartela será iniciada assim que a antiga cartela acabar.

ATENÇÃO: Existem cartelas com anticoncepcionais de uso contínuo, em que todos os comprimidos possuem princípio ativo, por isso, além de ler a bula é sempre importante saber com o médico qual é o tipo de anticoncepcional que você irá tomar. Nesse caso também recomenda-se que o início da tomada da cartela do novo anticoncepcional seja no dia seguinte ao término da cartela antiga.



  • Mudando de anel vaginal ou adesivo transdérmico para a pílula anticoncepcional:

O anel vaginal é um método contraceptivo que também se baseia na liberação de hormônios, assim como a pílula anticoncepcional. Ele é um anel de aproximadamente 5cm de diâmetro e 4mm de espessura que é introduzido na vagina. Ele fica inserido por 21 dias (3 semanas) e na quarta semana é retirado, período no qual acontece o sangramento. Caso a mulher queira trocar esse método pelo anticoncepcional oral, a cartela deve ser iniciada preferencialmente no dia da retirada do anel (fim da 3ª semana), ou no máximo, para o dia em que estava programada a próxima aplicação do anel (fim da 4ª semana).

O adesivo transdérmico é um adesivo contendo hormônios que é colocado sobre a pele. Ele é trocado semanalmente e é utilizado por 3 semanas. Na quarta semana, não se usa adesivo algum e espera-se que ocorra o sangramento. Caso a mulher queira mudar desse método para o anticoncecional oral, a cartela deve ser iniciada preferencialmente no dia da retirada do último adesivo, ou no máximo no dia em que estava programada a próxima aplicação do adesivo em um novo ciclo (depois da pausa na quarta semana).


  • Mudando de injeções de anticoncepcional ou Sistema Intra-Uterino (SIU) para a pílula:

As injeções são aplicadas mensal ou trimestralmente, dependendo da composição da injeção. Em qualquer um dos casos, a cartela do anticoncepcional oral combinado, deve ser iniciada na data prevista para a próxima injeção. Adicionalmente, durante os primeiros sete dias do uso do anticoncepcional oral, deve ser utilizado também um método de barreira (camisinha) pois nesse período há o risco de gravidez.

O Sistema Intra-Uterino (SIU) é um dispositivo inserido na cavidade uterina, por um médico ou profissional de saúde habilitado. É inserido através da vagina no período de até 7 dias após o início da menstruação e age por até 5 anos, podendo ser removido a qualquer momento. Caso haja interesse em trocar o esse método pela pílula anticoncepcional, a cartela deve ser iniciada no dia da remoção do SIU.

  • Mudando da minipílula para o anticoncepcional oral:

A minipílula é um método contraceptivo de comprimidos contendo somente um progestógeno. Nesse caso, pode-se descontinuar o uso da minipílula em qualquer dia e iniciar a cartela do anticoncepcional oral no dia seguinte, no mesmo horário. Adicionalmente, é necessário utilizar nos primeiros sete dias após o início da nova cartela, um método de barreira (camisinha), caso haja relações sexuais nesse período.

Cuidados depois de iniciar uma cartela


O esquecimento em mais de 12 horas do horário previsto para tomar um comprimido compromete a eficácia do medicamento na prevenção da gravidez (contracepção). Por exemplo: uma mulher que toma os comprimidos todos os dias às 8 horas da manhã e que se esqueceu de tomar o 6º comprimido da cartela nesse horário, poderá tomá-lo até às 20 horas (8 horas da noite) do mesmo dia sem comprometer o efeito contraceptivo. Esse procedimento vale para todos os comprimidos da cartela, inclusive o primeiro.

Se o esquecimento for superior a 12 horas, o comprimido pode ser tomado assim que a paciente lembrar-se, mesmo que isso signifique tomar 2 comprimidos de uma vez. Nesse caso, porém, o efeito de prevenção da gravidez estará comprometido. Contudo, não é recomendável que a mulher repita esse procedimento frequentemente dentro de uma mesma cartela, porque a dose ingerida será dobrada e doses muito altas repetidamente podem fazer mal ao organismo. Além disso, esquecimentos consecutivos diminuem ainda mais o efeito contraceptivo do medicamento. No caso de esquecimento de mais de um comprimido, um médico deverá ser consultado para a paciente saber a melhor forma de proceder.

Pra finalizar, é bom lembrar que é sempre importante consultar o médico ginecologista para escolher o melhor método contraceptivo para cada mulher, por causa dos riscos envolvidos, principalmente, relacionados a alguns métodos hormonais: eventos tromboembólicos, acúmulo de gordura abdominal, etc... E o farmacêutico pode orientar sobre o uso de anticoncepcionais, sempre que possível . Além disso, é importante sempre usar um método de barreira como a camisinha, pois os anticoncepcionais não protegem contra transmissão de DSTs - Doenças Sexualmente Transmissíveis.


Referências Bibliográficas:

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