terça-feira, 20 de setembro de 2011

É possível substituir a dose do metronidazol?

“Minha ginecologista prescreveu metronidazol 250 mg de 6 em 6 horas. No entanto, a farmácia não tinha essa dose, pensei em comprar 500 mg e tomar de 12 em 12 horas. De maneira geral, essa substituição pode afetar a ação eficaz do medicamento? Preciso da autorização do médico?”

O metronidazol é um medicamento vendido sob prescrição médica que tem atividades antibacteriana, antiparasitária, anti-helmíntica (ação contra “vermes” intestinais). Sendo indicado para a prevenção de infecções perioperatórias e tratamento de infecções bacterianas por anaeróbios; amebíase e tricomoníase; vaginite por Gardnerella vaginalis, giardíase e algumas infecções por protozoários, anaeróbios, doença intestinal inflamatória e helmintíase.

Esse medicamento atravessa a placenta e penetra rapidamente na circulação fetal, e, embora não seja demonstrado defeitos no feto, não se recomenda seu uso no primeiro trimestre do gravidez. Tampouco se deve usar o ciclo de terapêutica de um dia, na gravidez, visto que produz concentrações sanguíneas fetais e maternas mais altas. Não se recomenda seu uso no período de amamentação porque pode produzir efeitos adversos no bebê. Caso seja necessário o tratamento com metronidazol, o leite materno deve ser extraído e descartado, retornando à amamentação 24 a 48 horas após o término do tratamento com a droga.

O metronidazol é uma substância com extensa transformação no fígado e, por essa razão, esse medicamento pode provocar escurecimento da urina (presença das substâncias metabolizadas). Os pacientes não devem ingerir bebidas alcoólicas ou outros medicamentos que contenham álcool em sua formulação durante e, no mínimo, 1 dia após o tratamento com metronidazol.

Com acesso as informações à bula desse medicamento e considerando a consulta ao ginecologista pela paciente, fez-se considerar o tratamento com metronidazol contra bactérias.

A troca da dosagem (de 250 para 500 mg) e o tempo da administração (de 6/6h para 12/12h) do metronidazol deve ser informado ao médico prescritor pelo farmacêutico que realizou a dispensação desse medicamento na drogaria. Ambos profissionais devem estar cientes dessa alteração e, em conjunto, devem avaliar essa troca para o tratamento adequado da paciente.

Esse medicamento apresenta tempo médio de metabolização e excreção de 8 horas (variando de 6 a 12 horas), tornando o ritmo de administração de 12 em 12 horas adequado. Avaliando-se, também, as diretrizes para o tratamento bacteriano (vaginites bacterianas por bactérias anaeróbicas, tais como Prevotella sp., Mobiluncus sp., G. vaginalis, Ureaplasma e Mycoplasma) tem-se a informação que o tratamento pode ser realizado tomando-se metronidazol 500 mg de 12 em 12 horas.

Portanto, tem-se que as condições necessárias para a troca da dose e do tempo de administração do metronidazol são adequadas considerando o tratamento de vaginites bacterianas. Entretanto, a avaliação do tratamento deve ser feita pelo médico que está acompanhando a paciente. É comum o retorno da infecção porque os microorganismos causadores podem ser resistentes ao tratamento ou o estágio da infecção pode estar avançado. Dessa maneira, outras drogas e outras abordagens terapêuticas devem ser prescritas pelo médico após essa avaliação.

Referências:
  • Bula, Flagyl (metronidazol), Sanofi-Aventis. Disponível em www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM[26406-1-0].PDF
  • Workowski, K.A, et al. Sexually Transmitted Diseases Treatment Guidelines, CDC/EUA, 2010. Disponível em: http://www.cdc.gov/mmwr/pdf/rr/rr5912.pdf
  • Lau AH: Pharmacokinetics of metronidazole in patients with alcoholic liver disease.. Antimicrob Agents Chemother. v.31(11), 1987.
  • Paap CM & Nahata MC: Clinical pharmacokinetics of antibacterial drugs in neonates.. Clin Pharmacokinet. v. 19(4), 1990.

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