sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Insônia, é possível ter um tratamento seguro?

“ Gostaria de ler uma comparação entre remédios para dormir e porque a melatonina é proibida no Brasil quando é vendida em outros países.”

A insônia é uma desordem do sono que atinge grande parte da população. Ela é definida como a dificuldade de iniciar e/ou manter o sono com uma profundidade adequada e por tempo suficiente para que a pessoa tenha uma reposição física e psíquica. Esse quadro pode ocorrer por diversos fatores e até mesmo ser um sintoma de uma doença mais grave. Se não tratada, a insônia pode atrapalhar a capacidade de raciocínio, reduzir a qualidade de vida e por em risco a saúde do próprio indivíduo.

A insônia pode ser tratada de forma farmacológica e não farmacológica (ou seja, com ou sem o uso de medicamentos). É importante salientar que a forma não farmacológica é tão importante quanto a farmacológica e envolve, por exemplo, terapias comportamentais, mudança de hábitos que atrapalhem o sono, relaxamento, prática de exercícios físicos entre outras. A terapia farmacológica é feita, principalmente, por medicamentos sedativos-hipnóticos como os Benzoadiazepínicos e não-benzodiazepínicos (agonistas BZD), por antidepressivos, por anti-histamínicos e ainda por outras substâncias, como por exemplo a MELATONINA (esse último não é utilizado no Brasil).

Os medicamentos de primeira escolha para o tratamento da insônia são os sedativos- hipnóticos benzodiazepínicos e não-benzodiazepínicos. Os antidepressivos são escolhidos quando a insônia é associada a depressão e os anti-histamínicos são pouco indicados para essa finalidade, porque são minimamente eficazes e os efeitos indesejáveis (da dose usada para essa finalidade) são acentuados.

Em geral, os Benzodiazepínicos e os agonistas BZD exercem efeitos bastante semelhantes, porém existem algumas diferenças relacionadas com a absorção, excreção e tempo de permanência no organismo (pode ser curto ou prolongado), entre outras, que diferenciam a indicação pelo médico. Ou seja, cada composto tem uma particularidade e é recomendado para uma situação específica.

As diretrizes proposta por especialistas para o tratamento da insônia feito com sedativos-hipnóticos sugerem que os compostos de meia vida curta (aqueles que permanecem pouco tempo no organismo) sejam indicados para pacientes com insônia no início do sono e sem ansiedade diurna significativa, para pacientes que precisam trabalhar com atividades que exigem atenção e estado de alerta no outro dia e ainda para idosos devido ao risco diminuído de queda e depressão respiratória. Alguns dos efeitos indesejados desses compostos no indivíduo são: despertar pela madrugada, ansiedade de rebote (reaparecimento do sintoma inicial) e amnésia.

Os benzodiazepínicos de meia vida intermediária ou longa (aqueles que permanecem um tempo prolongado no organismo) são preferidos para pacientes com dificuldade de manutenção do sono e com ansiedade diurna significativa, que são capazes de tolerar a sedação do dia seguinte mas que seriam comprometidos pela ansiedade diurna de rebote.

Cabe ao MÉDICO a escolha do medicamento a ser usado, e essa escolha depende de uma avaliação clínica criteriosa que envolve vários fatores, entre eles, o histórico do paciente, a experiência com outros medicamentos, o tipo de insônia que o paciente sofre e a idade.
Esses medicamentos podem causar dependência e uso abusivo, (é recomendado que o tratamento não exceda 6 dias) por isso são sujeitos a controle especial pela nossa Agência Reguladora Nacional, a ANVISA, e só podem ser dispensados com receita especial.

Sobre a Melatonina

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal dos mamíferos, sua síntese e liberação ocorrem no período do escuro, e seu pico de liberação ocorre antes do período de maior propensão ao sono, assim, existem pesquisadores que relacionam esse hormônio com o sono. A sua forma sintética (produzida em laboratório e vendida como fármaco) é usada em alguns países para o tratamento da insônia e jat lag (dificuldade de adormecer devido ao fuso horário e a fadiga de viagem), dentre outras doenças.

O tratamento da insônia com a melatonina é um assunto bastante discutido entre especialistas do meio e ainda não existem regras para o uso e nem comprovação científica adequada (estatisticamente significante) da eficácia e segurança a médio e a longo prazo.

No Brasil, o seu consumo teve um aumento nos últimos anos devido, principalmente, a influência da mídia. Como não se sabe, exatamente, quais são os efeitos que essa substância pode causar no organismo, a postura adotada pelo Ministério da Saúde, para conter o uso desse medicamento e proteger os brasileiros de um eventual dano a saúde, foi de proibir sua venda nas farmácias.

Nos Estados Unidos, a melatonina é vendida sem receita nas farmácias, entretanto, produtos contendo esse composto NÃO são aprovados pela Agência Reguladora Americana (U.S. FDA) e assim, a qualidade, segurança e eficácia desses medicamentos NÃO são garantidas.


Referências

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