quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O que é essa tal Gardnerella?


Gardnerella vaginalis pode ser considerada como uma bactéria que faz parte da flora bacteriana do colo uterino?”

A microbiota usual do órgão genital da mulher (que inclui o colo uterino) em idade reprodutiva é composta, predominantemente, por Lactobacillus (90%), sendo que muitos outros microrganismos podem estar presentes na genitália de mulheres saudáveis, dentre eles a Gardnerella vaginalis. A composição e a densidade populacional desses microrganismos pode variar de mulher para mulher e, numa mesma mulher, em diferentes condições fisiológicas, como nas diferentes fases do ciclo.

Nas mulheres em fase reprodutiva, o estrógeno promove a maturação e diferenciação das células da mucosa vaginal em células maduras ricas em glicogênio. Esse glicogênio é metabolizado em ácido láctico pelos Lactobacilos, conferindo um pH ácido à genitália feminina (menor que 4,5). O pH ácido e o Peróxido de Hidrogênio (H2O2), que também é produzido pelos Lactobacillus conferem a proteção natural do órgão genital feminino, inibindo o crescimento de microrganismos como os anaeróbios (que crescem na ausência de oxigênio).

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa de infecção vaginal de maior prevalência em mulheres em idade reprodutiva e sexualmente ativas e é a causa mais comum de corrimento vaginal nas mulheres. O quadro de vaginose não se deve a um único organismo. Em vez disso, representa uma mudança complexa na flora vaginal caracterizada por uma redução na concentração dos Lactobacillos, normalmente dominantes, e aumento na concentração de outros organismos, especialmente os anaeróbios. As bactérias detectadas de importância são: a Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum, as espécies Mobiluncus, dentre outras.

O supercrescimento dos microrganismos associados com a vaginose tem várias sequelas: a Gardnerella vaginalis, por exemplo, produz ácidos orgânicos (principalmente ácido acético), que propiciam a proliferação de anaeróbios. Estes se multiplicam e produzem enzimas, que formarão aminas. Essas aminas elevam o pH vaginal e, quando em pH elevado, rapidamente se volatilizam e ocasionam mal cheiro (cheiro de peixe), que é característico das vaginoses. As aminas e os ácidos são tóxicos as células da mucosa, acarretando esfoliação das células epiteliais que serão encontradas no corrimento vaginal como "clue cells" ou células indicadoras (células epiteliais esfoliadas com G. vaginalis aderidas em sua superfície) que são o diagnóstico microscópico da doença.


Não se conhece o motivo exato para o supercrescimento da flora anaeróbia, mas existem fatores que podem alterar o ecossistema vaginal, como; o uso de antibióticos de amplo espectro; alteração do pH vaginal que se segue, naturalmente, à ejaculação ou duchas; traumas vaginais; estados em que há diminuição da produção de estrógeno, etc. Essas alterações podem levar a infecções pelos agentes que normalmente compõem a flora normal natural da vagina e do colo uterino.

Embora a G. vaginalis esteja presente em quase todas as mulheres com infecção sintomática, o organismo é detectado em até 50 a 60% das mulheres saudáveis ​​assintomáticas, assim, sua presença, por si só, não é diagnóstico de vaginose bacteriana.

O diagnóstico da vaginose bacteriana é baseada em um exame físico e testes laboratoriais. O exame físico, geralmente, inclui um exame pélvico, que permite ao médico ginecologista observar e testar secreções vaginais. Assim, uma visita ao profissional da saúde é recomendada na maioria dos casos de suspeita de vaginose.

Referências:

  • Jack D Sobel, MD, “Bacterial vaginosis” Last literature review version 19.2: Maio 2011 | This topic last updated: Abril 14, 2011
  • John G Bartlett, MD, “Anaerobic bacteria: History and role in normal human flora” Last literature review version 19.2: Maio 2011 | This topic last updated: Julho 15, 2010
  • Jack D Sobel, MD, “Patient information: Bacterial vaginosis” Last literature review version 19.2: Maio 2011 | This topic last updated: Outubro 11, 2010
  • www.crfmg.org.br

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