quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Que tipo de coloração devo usar no meu cabelo?


Nos dias atuais, é difícil encontrar uma pessoa que nunca coloriu o cabelo de alguma forma. O mercado de cosméticos vem crescendo muito e, entre os produtos mais vendidos da área capilar, destacam-se os xampus e as tinturas. Mas os produtos existentes são tantos que muitas vezes o consumidor não sabe qual deles é o mais adequado para cada caso.

A RDC n.º 211, de 14 de julho de 2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), classifica as tinturas capilares como cosméticos de grau de risco 2. Isso significa que elas se enquadram na definição de “produtos cosméticos” e que possuem indicações específicas (exemplos: xampu anti-queda, creme anti-aging, etc.), sendo que sua segurança e/ou eficácia devem ser comprovadas, além de possuir informações sobre cuidados, modo de usar e restrições de uso.

As tinturas capilares podem ser classificadas em três grupos de acordo com a duração do efeito colorido: permanentes (ou oxidativas), semi-permanentes e temporárias. Para entender melhor o mecanismo de ação das diferentes tinturas, sugerimos que o leitor conheça um pouco mais sobre a anatomia do fio de cabelo lendo a seguinte publicação: “Devo usar xampu sem sal quando meus cabelos estão danificados?"

As tinturas temporárias são aquelas que possuem como mecanismo de ação a deposição de corantes sobre a fibra capilar, ou seja, não há “fixação” do mesmo no fio do cabelo e, consequentemente, ele é, geralmente, removido na primeira lavagem. São geralmente usadas para proporcionar efeitos especiais nos cabelos, retirar o amarelado de cabelos loiros e grisalhos, etc., e se caracterizam por produtos como sprays, riméis, géis, entre outros. Elas possuem baixo potencial irritante e são muito seguras.

As tinturas semi-permanentes são aquelas que são, geralmente, utilizadas para realçar a cor natural do cabelo, colorir fios grisalhos, etc. Esses corantes possuem menor tamanho e, por isso, conseguem penetrar na cutícula do cabelo e, parcialmente, no córtex. Assim, dependendo da composição do produto e da condição do fio, o efeito colorido pode durar entre 12 e 15 lavagens. Para facilitar a difusão das moléculas de corante para o córtex, muitas vezes, as tinturas são associadas a soluções levemente alcalinas, o que ocasiona uma certa abertura das cutículas do fio, danificando o cabelo. Os famosos “tonalizantes” são exemplos desse tipo de tintura.

Já as tinturas permanentes (ou oxidativas), apesar de proporcionarem um efeito colorido de maior duração, são as mais agressivas. Elas se diferenciam das outras por possuir em sua composição substâncias precursoras. Essas substâncias só atuarão como corantes uma vez que sofrerem uma reação de oxidação no interior do córtex e se ligarem a outras substâncias presentes na formulação, formando compostos de grande tamanho, o que dificulta a saída dos mesmos pela cutícula do cabelo e os mantém no interior do córtex. Para que os componentes da tintura e o antioxidante (água oxigenada) entrem no córtex, é necessário abrir as cutículas do fio, o que é feito com o uso de uma substância que eleva o pH do meio, geralmente, amônia. Como consequência disso, há diminuição da maciez, do brilho e de outros aspectos característicos de um cabelo saudável.

Dentre os produtos para coloração, podemos encontrar dois sub-grupos: os sintéticos e os naturais. Esses últimos são de origem vegetal e possuem baixo poder alergênico. Assim, são muito utilizados por pessoas que já possuem os cabelos sensibilizados. Uma famosa tintura natural semi-permanente é a “Henna” (também conhecida como lawsone). Originalmente, a “Henna” é derivada da planta Lawsonia inermis e possui coloração marrom-avermelhada. Mas, com a adição de outros pigmentos, é possível originar outras nuances (a cor que vemos no cabelo). Dessa forma, existem vários produtos chamados de “Henna”, que podem ser em pó, em creme, entre outros e que possuem diversas colorações e componentes, o que dificulta a caracterização geral desses produtos como “naturais”. Eles colorem os fios por deposição cumulativa de pigmentos sobre os mesmos, podendo gerar uma sensação de “engrossamento” do cabelo, mas não foi encontrada nenhuma informação sobre um possível clareamento do mesmo após o uso de Henna. Ela é, muitas vezes, confundida com o Henê, um produto cosmético que tem como principal finalidade o alisamento dos cabelos, mas que também os colore na cor negra. É importante que os consumidores conheçam essa diferença, pois, ao contrário da Henna, o Henê possui alta toxicidade.

Até aqui, uma questão já deve estar bem entendida: quanto menor a duração do efeito colorido, menor o dano ao cabelo, pois significa que menos (ou nenhum) corante foi depositado no córtex capilar e houve menor (ou nenhuma) abertura das cutículas. Outra questão a ser considerada é o fato de que não é porque uma tintura (ou qualquer outro produto) é chamada “natural” que ela é segura. É preciso averiguar a procedência e a segurança dos produtos (marcas reconhecidas, registros na ANVISA, etc.), mas, geralmente, os produtos naturais possuem menor poder sensibilizante. Além disso, é importante lembrar que todo cabelo que passa por um processo de transformação, provavelmente, sofrerá algum dano e, por isso, é importante que o mesmo seja constantemente hidratado e bem cuidado.

Portanto, a escolha de uma forma de coloração ou de outra irá depender do resultado esperado pelo consumidor (cor, duração do efeito, proporção de danos ao cabelo, etc). Para procedimentos domésticos, é importante que sejam levadas em consideração a procedência do produto e a condição do cabelo. Mas, em se tratando, principalmente, de tinturas sintéticas, muitas vezes não há conhecimento suficiente por parte do consumidor para saber qual tintura deve ser aplicada para atingir a nuance pretendida, já que há muitos fatores variáveis de um cabelo para outro. Antes de fazer qualquer procedimento de transformação capilar, o ideal seria ouvir a opinião de um profissional cabelereiro habilitado, para que, juntos, consumidor e profissional, decidissem a melhor opção de tratamento.

Referências Bibliográficas:

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